Papais e Mamães

Semana do Aleitamento Materno: Não julguem as mães!

A amamentação é um tema muito complicado para cada mãe, já que cada corpo tem o seu tempo e nem todas conseguem, de fato, alimentar o seu bebê pelo período de seis meses, que é o indicado pelos pediatras. Na Semana do Aleitamento Materno, resolvemos discutir esse tema e fazer um pedido: não vamos julgar as mães!

Sabem, as mamães já passam por muitas ansiedades na gravidez – especialmente as de primeira viagem. Uma pesquisa realizada por Aimeé Grant, da Center for Trials Research, revelou que normalmente as grávidas e mães de primeira viagem se sentem muito julgadas por familiares, amigos e mesmo estranhos.

“Se você não pergunta às pessoas o que eles irão almoçar, entenda que também não é apropriado que elas façam sugestões sobre como você deve alimentar seu bebê”, destaca Grant, que emitiu essas recomendações após realizar um estudo e constatar que a “vigilância comunitária” sobre as mulheres grávidas e sobre a alimentação dos bebês aumentou significativamente.

Aleitamento Materno e atitudes das mães

No estudo, publicado no jornal Families Relationships and Society, os pesquisadores entrevistaram pares de mães-avós e descobriram que o julgamento público a respeito das mulheres aumentou entre as gerações.

Os seis pares de mães-avós eram de áreas urbanas desfavorecidas do sul do País de Gales. Essas áreas foram selecionadas devido às baixas taxas de amamentação e às altas taxas de intervenção de saúde pública. Os filhos mais novos das mães tinham entre seis semanas e 25 meses. As próprias mães tinham entre 22 e 43 anos, e as avós entre 42 e 74 anos.

“Muitas das novas mães relataram que se sentiram vigiadas, avaliadas e julgadas, e algumas relataram a experiência de serem questionadas por estranhos sobre suas escolhas durante a gravidez e sobre a alimentação de seus bebês. As participantes também relataram uma série de pressões para alimentar seus bebês de maneiras particulares, incluindo um desejo geral de amamentar, em oposição ao uso de fórmulas para lactentes”, afirma o pediatra Moises Chencinski, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Palpites de estranhos

As novas mães também relataram que a forma mais desafiadora de vigilância era a de estranhos, pois elas eram menos capazes de controlá-la. Uma delas contou uma visita a um café onde o garçom agiu “como um policial da alimentação”, recusando-se a servir-lhe o chá da tarde que ela havia encomendado por causa de sua “grande barriga”, mostrando que ela estava grávida. Durante sua entrevista, essa mãe disse que sentia como sua gravidez fosse “propriedade de todos”.

Uma das mães compartilhou comentários de familiares sobre a frequência das mamadas do seu bebê e admitiu que ela própria passou a questionar sua habilidade de amamentá-lo corretamente.

Outra relatou que um parente havia lhe dito que ela não poderia beber álcool em uma saída noturna porque ela estava amamentando. Ela sentiu que essa intervenção era “intrusiva e rude”, pois já havia conversado com seu médico sobre como ela poderia amamentar seu bebê com segurança e beber álcool.

Grant, que liderou a pesquisa, observa: “as mães em nosso estudo descreveram como esse policiamento intrusivo nas escolhas de estilo de vida começou na gravidez e depois continuou a impactar suas vidas cotidianas, principalmente no que se refere à alimentação infantil”.

“Esta vigilância e estas interferências podem resultar em mulheres grávidas e novas mães que realizam uma maternidade menos consciente, o que torna difícil seguir as recomendações e conselhos dos profissionais de saúde. Para apoiar o aleitamento é preciso também não julgar e não condenar as mães”, diz o pediatra, autor do blog #EuApoioLeiteMaterno.

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *